segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O que fica...

Escritor convencido de palavras inúteis,
Pinta uma tela de cores apagadas
Outrora notas de músicas amadas,
Trabalhos dedicados de esforços agora fúteis

A caneta vacila nos dedos pintados
De cores na tela sem textura,
Soando a doces melodias, a ternura
De cordas agudas de tons vibrados.

A palavra une-se à imagem
Ao som, ao sabor do vento,
Da alma vagueante, por vezes sem alento...
Lamentos gritantes silenciados à margem.

Estes entretenimentos completam
A noção de falso vazio, o engano
Da mente, dos outros que nos inquietam.
Mas neste Teatro ainda não caiu pano:

Muitas mais imagens, palavras
Sonoridades lentas, sentimentos
Traduzindo momentos em cores pintadas
Na tela eternamente tocada pela Vida.

A Obra é apenas o que fica.

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