segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Cidade encantada


Cidade saudosa de muitos corações,
És desejada, amada e odiada...
Cidade em sentimentos conturbada,
Cheia de tantos pessoais serões
À sombra da tua fama de cidade
Poeta, terra de mentira sobre a verdade!
És tu ó cidade que na minh'alma
Tocas como dedos em guitarra chorosa,
Cantando odes e rimas sobre a calma
Que não me dás de mão beijada e copiosa,
Mas depois, dás-me um estalo no corpo sofrido,
Lembrando a tua frieza de Musa amada,
Arrastando-me pela calçada já rendido
Ao orgulho de cidade eternamente desejada!
Tuas Mãos nas minhas,
Teus olhos nos meus...
A tua boca diz doces adivinhas
Que os meus dedos calam por Deus!
És obra dos seus acasos certamente!
Tão perfeita obra de contrastes
Só podia ser a minha Cidade irreverente!
Tua voz canta como rio tremido
Nas tuas noites encantadas
Ao choro dos fadistas, um gemido
De tágides extasiadas!
A tua indiferença magoa-me cá dentro...
Mas a tua beleza deixa-me no firmamento!

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