"Será demasiado tarde?"
Pergunto-me no meio
De divagações egoístas, eu creio...
"Que faço eu da minha parte?"
...Esqueço-me das opções
Do mais provável e centro-me em soluções
Que me parecem mais... estóicas
Sim, porque fazer de conta
Que nos passa ao lado
O que nos leva a triste fado,
Deixa sempre a nossa alma pronta
Para novo e imprevisto, emocional estado...
Julguei que tudo correria bem.
Julguei que continuaria sem
Ilusões estúpidas que o invisível
Me criou... Até me parecia credível!
Não me enganei a respeito
Da essência de quem gosto.
Não é disso que agora duvido...
Nunca pensei levar tanto a peito
As conversas do que é nosso
Sem a proximidade e seu crivo.
Foi antes a intensidade
Imprevista da qual não tinha certezas
Estúpida a minha idade, afinal
Nunca existiram Raposas "presas"...
É por isso que hoje estou assim
Com uma sensação de não haver um fim,
Nem um começo, nem uma continuação.
É um estado de pura indefinição.
O espírito pede-me meditação,
Com a racionalidade que sempre me salvou
Nos momentos de estranha emoção,
Não sei se em mim algo parou...
Não sei se algo poderá recomeçar
Deixo arder o incenso no ar,
Com a calmante luz de velas acesas
E um doce perfume para me recordar
Que, no fundo, ninguém tem defesas.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Incenso e Velas
domingo, 12 de abril de 2009
És um pouco estúpido, sabias?
Olho hoje para o infinito desta escuridão que absorve inteiro neste cenário bucólico e silencioso. É nesta terra que me deito na relva e olho o céu nocturno em busca de respostas a perguntas retóricas que profiro, numa vã busca pela razão de ser dos máximos e mínimos numa Vida igual a tantas outras: A minha!
É incrível como uma terra de planícies, com perto de meia dúzia quilómetros até à civilização mais próxima, sem qualquer distracção a não ser o barulho das criaturas da noite, do miar de gatos e ladrar ocasional de um ou outro cachorro, me leva numa viagem introspectiva. Os barulhos calmantes da interacção da atmosfera com a flora também contribuem, vulgo o vento a passar nas folhas de choupeiros e chorões, a água a correr entre azedas, margaridas, rosas e girassóis de jardim… Revejo-me neste local e estado sempre que preciso, sempre que um pouco de solidão ajuda a colocar dúvidas no sitio certo e a colocar as respostas na linha de espera (que no fundo não quero saber).
Olho para as estrelas numa visão pseudo-romântica e cismo sobre a ironia de alguns factos da minha vivência: aparecem pensamentos como “És um pouco estúpido sabias?” ou “Deixa estar… O teu futuro está repleto de surpresas agradáveis! Não te preocupes, tudo ficará melhor que agora”, ou “Era bom demais para ser para ti não era?”, ou “Porra! Seria melhor deixares-te dessas m€rd@s! Get a grip on yourself man!”, ou mesmo pego em algumas lições de outrora e tento associar todas mais um punhado de pensamentos de sábios e filósofos falecidos numa única chave-mestra que me tire deste entorpecimento parvo.
“Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas.” Seria o que Saint-Exupérie me diria se estivesse vivo e se me conhecesse pessoalmente… Mas, oh que porra! As estrelas vejo eu muito bem! A vias láctea e umas duas galáxias a mais a olho nú, as constelações que não me lembro do nome mas que me divirto a ver a sua forma e baptiza-las de novo… Portanto a so called “razão” diz-me que não estou assim tão mal! Por outro lado também não estou bem… :X
Tento sorrir à musa a ver se ela me responde.
Nada… Nada?… Ah… está ocupada. Faz ela muito bem. Faltam é as minhas respostas. Mas se calhar estou a ser demasiado egoísta até mesmo nesta diarreia mental que me absorve agora.
Parou a rima então… parou por instantes o coração… Parou por instantes a emoção que me guiou a razão… Mas isto é rimar! Oh Meu Deus! A rima prometeu comigo sempre estar! Agora não tenho como lhe escapar!… Estarei louco?…
Fiquem descansados… Apenas estou um pouco introspectivo, mas não louco, nem tão pouco sem a razão ou a emoção… Vocês não têm culpa destas diarreias mentais, no entanto, algum acabou por ler até aqui. Lamento.
No fundo, isto é mesmo falta de férias. E falta de algum calor! A noite já está a arrefecer demais para ficar aqui sem manta ou uma bebida quente, e também não me está a apetecer ir buscar nenhum deles. Vou para dentro e preparar-me para voltar à cidade que me me acolheu nos seus braços frios e cruéis da distância e da indiferença ao retorno de mais um habitante.
Bem hajam.
sábado, 11 de abril de 2009
Por instantes deixei de pensar…
“Chaaron dishaaon mein ye daastaan ho
Ek dil, ek rang, ek yaan
Sarhad nahi he koyi yahaan
Khuli ye zameen he, khula aasmaan”
Quantos de nós já não ficaram,
Suspensos e pendurados
Em momentos de abstrações
E sentimentos, que viajaram
Para longe de alguns derrubados,
Por vicissitudes e corações?
Quantos de vós já encontraram
Alguma paz relativa no cortar
Linhas de pensamento e sentimento,
Para evitar relativo tormento
E permitir um melhor respirar?
Quantos de nós já o tentaram?
Deixar ir, deixar estar…
O que nós merecemos acaba
Sempre inevitavelmente por voltar,
Seja um momento de felicidade alada
Ou um sofrimento que merecemos encontrar.
Agora deixo de pensar…
Deixo de reflectir sobre o sentir,
Sobre o que posso ou não sonhar,
Sobre o que no futuro poderá existir…
Não procurando e deixando-me encontrar.
Agora pensei muito em todas as direcções:
Deixar a filosofia ser “um coração, uma cor, uma alma”,
Porque em mim e aqui não existem fronteiras,
A terra está aberta, e aberto está o céu.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Home alone...

Preparo a noite para um jantar
A dois que não estão,
Onde apenas eu irei estar
…Conformado no coração.
Sorrio apercebendo-me da noção
De tempo que é relativa,
Que me leva a crer que são
Apenas momentos à deriva
Rumo a um futuro melhor.
Definitivamente, um lema que sei de cor!
Preparo a refeição com carinho
E dedicação nos ingredientes
Que escolhi, nada adstringentes
E regados com um pouco de vinho
(para dar um sabor mais encorpado),
Combinando tons melífluos e aveludados,
Tal como numa tela o contraste
É pintado com pinceladas “quanto baste”,
Para os temperos não se tornarem exagerados
Ou dissimulados…
Ponho a mesa para dois,
Uma vela e pano vermelhos.
“Não sabeis que esperada sois?”
Um sumo de vermelhos frutos
Ou um bom vinho para acompanhar?
… Já me dava por feliz se aqui pudesses estar…
Acabo o jantar sozinho.
Levanto-me saciado mas
Com um sentimento de vazio:
A saudade.. que é no entanto um doce estio…
É por isso que sorrio, enquanto afago
As teclas do piano, à luz da vela
Tremeluzindo sombras que apago
Em músicas dedicadas à Musa Bela!
Quero a realidade!
Sei que apenas é um imaginário
Preenchido, por desejos de verdade
Num simples, puro e constante corolário:
O Teu íntimo tocar com sinceridade.
Um singelo e discreto desejo de teu te tornar.
Acabo assim com estes romantismos
Que podem ser mal interpretados,
Não vão eles ser confundidos por eufemismos
Da minha vontade, ou mesmo simplesmente enganados…
(P.S.: antes que perguntem… Não tirei foto ao meu jantar, portanto a foto que vêem no inicio do “post” é apenas ficcional, mas tem alguma da envolvência que quis transmitir)
domingo, 5 de abril de 2009
Imaginar
"The force between two opposite charged masses, depends on the amount and distribution of charge in each body, the distance between them. The force is inversibly proportional to the square distance between the two bodies resulting in moderate atraction when removed from one and other, but in exponential greater atraction..." "... and towards one and other and colide in a cycle. The blisteration depends of the elasticity of the colision. The bodies will ultimately come to rest together with the inicial potential energy of their electrostatic atraction having been dissipated through the kinetic energy of their colision..."
Passo horas sem fim
Tentando encontrar razões
Que a mente, em grande sufrágio,
Escolhe para me deixar assim:
Saudoso, cantando refrões,
Evitando o esquecimento ou naufrágio.
Reencontro quem mais gosto
Em diálogos interiores
Com quem eu conheço de rosto
Que, paradoxalmente, nunca vi...
Conversas que me fazem ver todas as cores
Do espectro a preto e branco que vem de ti.
Pergunto-me se serás sequer real...
Sorrio por isso, aquando de interrogações
Aparentes, pois são mais o espanto
De quem prefere sentir também com reflexões:
Sei que é bom, quero que seja verdadeiro,
A testemunha será o meu coração inteiro!
Acabo por imaginar mais um dia,
Em músicas, palavras e passos de dança,
Puros reflexos do que eu mais queria!
Por isso... Não vou deixar morrer a esperança!
…enormes e saudosos!
Porque sim…
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Quem és tu?
Quem és tu? Quem és tu que me faz acordar contigo, adormecer contigo, sorrir o dia inteiro contigo, sonhar contigo?… Que feitiço é esse que me levou onde não pensava que pudesse existir tal futuro tão presente para mim?
Que tesouro é esse que fui achar no fim do arco-íris? Quem és tu que me deixas tão… assim??? Sorrio e sinto saudades, apertos cá dentro dos que nos lembram a saudade, voltas na montanha russa por terras de rosas vindas direitas para este local à beira-mar plantado…
Alguns diriam que estou louco, outros diriam que é esta loucura que me salva da excessiva seriedade do que me rodeia, que é este ânimo que trás o melhor de mim e que só pode haver uma pessoa especial para me fazer sentir assim…
LOL! Eu sou alegre por natureza! Obviamente tenho os meus baixos… mas por norma tenho sempre um sorriso para oferecer! O curioso é que ultimamente me tenho andado a perguntar o quanto do que passo hoje não é fruto da minha imaginação fértil e desejo de ser encontrado numa situação que eu sempre desejei. É por isso que hoje me pergunto: “Quem és tu… miúuuudaa!”
Isto não é loucura! Só estou a ser simplesmente eu no meu melhor! =D
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Tango… Again…
Caríssimos leitores, amigos e curiosos…
Hoje tenho a anunciar que estou, de novo, “infectado” com a patologia desejo-ardentemente-aprender-a-dançar-tango-e-não-sei-como-ou-se-tenho-sequer-o-jeito. Sem dúvida, uma das patologias com maior extensão de letras em todos os anais de medicina e psicologia.
A fisiopatologia desta afecção, que tanto que causa transtorno a estas horas, ainda está por ser totalmente explicada cientificamente, não obstante, é de referir alguns sinais e sintomas importantes:
- Sensação de calor e rubor;
- Vontade de criar um espaço livre de qualquer obstáculo com o mínimo de 10m^2;
- Vontade de comprar todos os manuais de tango;
- Audição obsessiva/compulsiva de Gotan Project e Astor Piazola;
- Irritabilidade por não ter par;
- Ansiedade… sem causa aparente… =S;
- Parestesias ocasionais;
- Astenia aquando da execução de outras tarefas mais produtivas e que nada têm a haver com ouvir tango e tentar desesperadamente dança-lo com uma mopa (na falta de companhia)
- Esperar que a mopa nos ensine as posições dos pés e passagens entre passos;
- Ouvir a mopa com atenção;
- Responder com o nosso alter-ego… (no comments)
- Astralgias agudas por apoiar mal os pés e torção de articulações;
- Equimoses por tropeçar sozinho;
- “faltisse-de-jeito” crónica e até hoj subclínica… (se bem que já desconfiava há mais tempo);
Por fim… Para minha inveja (sim! pecado mortal! Levai-me para o inferno), acabo por ficar a olhar para este par de sortudos que até sabe como dançar o tango! (se bem que eu já vi muito melhor):
Espero que me tenham compreendido… Se souberem de algum tratamento eficaz, não hesitem em me informar… Psicoterapia, hipnoterapia, aromaterapia, tudo o que acabar em –terapia e mesmo algumas aulas oferecidas de tango.
Obrigado por me aturarem…
Um grande, bem haja, para todos vós!

