quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Areias do tempo



Sons distantes, de indubitáveis certezas,
Clamam pela razão deste estado
Que renega um triste, duro fado.
Eu já me apercebi que ideias presas
Alimentam o que está errado.

As areias do tempo são como velas acesas
Num escuro quarto acolhedor,
Onde andam soltas as palavras indefesas
"Definhante", "mediano" até mesmo "furor"!
Tanto faz frio como um ardente calor...

Sons distantes, de esperança galopante,
Querem fazer parte desta Vida sempre escassa
Na experiência sábia e reconfortante,
De quem repara no que à volta se passa
E não quer manter distante.

Não paro para olhar as areias do tempo.
Corro o risco de perder o alento
De ouvir os sons distantes, as velas acesas,
Os sentimentos importantes
E, possivelmente, perder as palavras indefesas.

Estas areias escorrem da minha mão
Espalhando no tempo os meus sentimentos,
Empedernindo (talvez não) aquele coração
Que eu espero conhecer em futuros momentos...


A música é de Michael Nyman ("The heart asks for pleasure first")

1 comentário:

Inês disse...

Parei no tempo, fiz uma pausa no ritmo de trabalho fernético que a me obrigam e fugi até aqui para ler e comentar...
1ºComentário - Perdi a conta às vezes que já vi o Filme "o Piano", porque adoro.

"2ºComentário - o Poema fez-me lembrar um daqueles relógios de Areia em tamanho gigante, as Ampulhetas, sim, Fez-me lembrar uma ampulheta gigante.

Beijos